Sentado na sua cadeira de vime, verde em tons de feio, lê um livro indistinto de qualquer outro, ouve a brisa que passa na varanda, sente a mansidão de sua terra. Pestaneja apenas a cada virar de página, não pela compenetração mas pela falta de sossego. Não saboreia como deve toda esta sorte. Quer mais, mas ali fica, acompanhado pela sua intelectualidade ganha numa corrida de cavalos. Acha que, apesar de tudo, aquela ténue brisa lhe trará o que quer, por isso, fica de pálpebra em riste. Perguntam-se muitos quantas páginas terá o livro, se tem uma biblioteca à distância de um braço, se tem necessidade de aliviar as tripas, se é a mesma brisa que se encarrega de as levar caso as faça ali mesmo, e até, se será essa a razão da lustrosa cor da sua cadeira de vime. Desconheço, não sei do que falam. Por essa mesma razão, por estes e tantos outros insignificantes esquecimentos, singelas amnésias, se questiona.
- Tiveste saudade?
- Quem és tu?
(E o que tem o senhor da varanda? Hemorróidas está excluído mas será paralisia dos membros inferiores? Não, mostarda no nariz, a tépida ilusão que a brisa traz camiões TIR de felicidade, saúde e o que quer que seja e uma cadeira berrante)
21/05/10
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